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A indústria 4.0 na área tributária – Parte 3

Por Lucas Leonardo Vieira e José Adriano Pinto *

Nas partes 1 e 2 deste artigo tratamos do SPED, da NF-e, da transformação digital da área tributária e das visões antagônicas sobre automatizar já ou não automatizar ainda. Nesta terceira parte vamos abordar a visão de futuro da área tributária e dos profissionais.

É fato que os profissionais que não conseguirem se adaptar a essas mudanças serão impactados diretamente. A falta de especialização associada ou não aos salários que não comportam investimentos em treinamentos são alguns dos principais motivos para estes impactos. É fundamental a busca e o compartilhamento não só de conhecimento, mas de soluções em que a adoção destas novas tecnologias aliada a especialização adequada dos profissionais tem refletido em aumento da eficiência empresarial. Fundamento este tópico voltando ao exemplo mais “commodity” de todos: o SPED. Este artigo poderia ter sido escrito há mais de 10 anos, pois falava-se que o SPED seria a razão da demissão ou eliminação de diversas funções da área tributária.

Separamos em 2 tópicos a nossa visão de futuro da área tributária brasileira. O primeiro é sobre a eliminação de parte das profissões de contador e auditor até 2030, já exposto anteriormente. Isto até pode se confirmar, mas em outros países. Mais uma vez, a Receita Federal saiu na frente com a criação do bCPF, o blockchain do Cadastro de Pessoas Físicas. O bCPF faz parte do desenvolvimento de mecanismos seguros e eficientes para realizar o compartilhamento da base cadastral, garantindo a rastreabilidade com maior facilidade no acesso aos dados. Infelizmente, não é algo único e com aplicabilidade a toda diversidade de identificação que variadas entidades exigem. Há muitos anos dizem que deveríamos ter somente uma identificação, mas ainda temos CPF, RG, Título de eleitor, NIS e outros. No nosso ponto de vista o registro das operações em blockchain, base para esta “substituição”, significaria acabar com mercados como cartórios, juntas comerciais, despachantes e outras jabuticabas brasileiras. A identificação única é, portanto, extremamente viável em blockchain, entretanto não acontece por diversas questões como lobby. Imaginem todas as operações sendo registradas em blockchain para que o conceito de contabilidade desapareça. Ainda faltam muitos passos e quebras de paradigmas como regulamentação, aceitação e referência.

O que é mais provável em um futuro próximo da área tributária brasileira, acreditamos, é a segunda onda de transformação do profissional. Depois da transformação do analista fiscal em especialista em projetos SPED, acreditamos que o futuro dos profissionais, seja um maior desenvolvimento da habilidade em se traduzir as normas fiscais e contábeis em parâmetros não só configuráveis, mas também mais inteligentes, de forma que ERP’s, soluções fiscais e RPA’s possam desempenhar funções mais abrangentes e verdadeiramente mais produtivas e assertivas. Dado ao caos da legislação tributária brasileira, essa não é uma tarefa fácil e demandará muito empenho, autotreinamento e investimento do profissional. Mesmo que você esteja pensando nas promessas e projetos de simplificação tributária dos velhos ou dos novos governos, lembre-se que ainda haverá um longo período de transição e um legado das informações, trazendo mais necessidade de investimentos para os contribuintes e mais oportunidades para os profissionais que estiverem mais preparados.

Como consideração final, deixamos nosso alerta para que as empresas avaliem melhor as promessas dos RPA’s para sua realidade, e para que os profissionais se dediquem mais aos projetos que otimizem ou automatizem de verdade os infindáveis processos fiscais. O fato é que Darwin estava certo quando disse que “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.

* Lucas Leonardo Vieira compõe o grupo de especialistas em SPED da BlueTax, Contador e Administrador com MBA em Gestão de Projetos pela FGV e atua na área tributária da CBMM.

* José Adriano Pinto é Coordenador e Professor de MBA na BlueTax, Sócio-Diretor na Allsped, Especialista em Conformidade Fiscal, Compliance e Governança Tributária e uma das maiores referências em SPED do Brasil.

Fonte: http://blog.bluetax.com.br/profiles/blogs/a-industria-4-0-na-area-tributaria-parte-3

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