SÃO PAULO - A implementação do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) provocou uma verdadeira revolução no mundo corporativo nacional. Neste cenário, a comercialização de soluções digitais para atender à obrigação de substituir a antiga escrituração fiscal e contábil em papel pelo novo sistema de dados on-line da Receita Federal vem sendo acolhida com entusiasmo pelas empresas do setor de TI, que têm encontrado um verdadeiro filão no mercado.

Premidos pela necessidade de adquirir os softwares que permitirão o envio das informações de qualidade doravante exigidas pelo Fisco ou de contratar serviços de consultoria jurídico-contábil devidamente familiarizada com o tratamento digital destes dados, os empresários estão ajudando a movimentar uma engrenagem que ostenta números milionários. “Estimado em R$ 3,1 bilhões, o mercado fiscal e de contabilidade brasileiro vai ganhar maior impulso graças à complexa teia de regulamentos tributários existentes no País e ao rigoroso cumprimento das normas fiscais que hoje permitem a geração de 36% do Produto Interno Bruto (PIB) via impostos, com uma crescente demanda por soluções fiscais, de contabilidade, de compliance e de auditoria que simplifiquem o fluxo de trabalho e reduzam o risco de não cumprimento das obrigações”, prevê Carlos Meni, diretor-presidente da Prosoft.

Na ADP Brasil, grande player global em soluções de RH e folha de pagamento, a projeção é de crescimento de 30% no mercado de softwares e consultorias especializadas, segundo Ângela Rachid, gerente de produtos. Na B2Finance, especializada em outsourcing, auditoria, consultoria e administração de pessoal e provedora de softwares e templates prontos, a expectativa é crescer 500% nos próximos cinco anos, com um faturamento equivalente a R$ 36 milhões no final de 2014 – o dobro do período anterior. Quanto à Certisign, empresa que atua na área de certificação digital, o vice-presidente Júlio Cosentino aposta  num aumento de 20% na emissão de certificados digitais, com 1,2 milhão de documentos validados.

Nesta grande roda da prosperidade, porém, as empresas provedoras de tecnologia são as que mais acumulam desafios equiparáveis à projeção que vêm alcançando. Numa corrida por bons produtos no mercado, são obrigadas a investir tanto em mão de obra especializada quanto em tecnologia de ponta. A empreitada não é nada desprezível, levando em conta que, por meio da adesão ao Sped, as autuações da Receita Federal passaram de R$ 90 bilhões, gerados em benefício dos cofres públicos em 2010, para R$ 109 bilhões em 2011 (aumento de 20,9%) e R$ 116,35 bilhões em 2012 (elevação de 5,6%).

Ao lado disso, tem-se uma tarefa de fôlego, que desafia a própria inteligência em TI e contábil: só o eSocial tem um manual de mais de 200 páginas e um conjunto de mais de 20 tabelas, cada qual com centenas de itens de preenchimento. Sendo assim, investir em conhecimento de tecnologia – hardware, links de contingências, isto é, o meio de transmissão de dados pela internet; profissionais de folha de pagamento e outros analistas – é a palavra de ordem na ADP, onde as contratações estão indo de vento em popa: 60 novos colaboradores acabam de se somar aos 800 funcionários que já tratavam da matéria, de maneira a atender à forte demanda por consultoria associada ao eSocial e estimada, segundo Ângela Rachid, em 90% dos 3.200 clientes que compõem a carteira da empresa. Para processar as folhas de pagamento de cerca de 770 mil trabalhadores, a ADP permite escolher um combo de serviços, cujo custo, de acordo com a opção escolhida,  fica entre R$ 4,00 e R$ 7,00 por funcionário/folha.

De olho na adequação às exigências do governo federal, a TOTVS, empresa de softwares, serviços e tecnologia que detém 55,4% de marketshare, desenvolveu o TOTVS Automação Fiscal (TAF), pronto para rodar de acordo com as especificações do Sped. Para facilitar, o módulo fiscal pode ser integrado ao sistema de gestão empresarial (ERP) da TOTVS ou de outro fornecedor no próprio cliente, funcionando como “um consolidador de dados”. “Ele se conecta ao sistema da empresa, consolida as informações dentro do modelo (layout), exigido pelo governo e envia os dados para os órgãos responsáveis”, explica Marcelo Souccar, diretor do segmento Serviços e Jurídico da empresa. Ele também informa que se trata de uma solução completa, na medida em que “permite que sejam importados para o módulo fiscal dados de sistemas periféricos, como até mesmo que sejam digitadas diretamente no layout informações que não constam do sistema”, conclui o diretor do segmento Serviços e Jurídico da TOTVS. 

http://www.dci.com.br/especial/exigencias-impulsionam-o-mercado-de-...

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